Aureo Antunes - Contemporary fine arts - Abstract geometric, gestural, minimalist. - Brazilian Artist
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Apresentação
A Pintura dos sons do silêncio

Sensibilidade, perspicácia, verdade - são palavras caras à arte de Áureo, cujo alcance e significado só entenderemos recorrendo à revelação das inquietações e anseios artísticos e filosóficos, que, como todo artista que se preza, também ele tem: O que é arte? Onde ela nasce? No mundo exterior ou no âmago do nosso íntimo, nas profundezas abissais do nosso inconsciente? São perguntas que, depois de seis mil anos de realizações artísticas, os homens ainda não sabem responder com segurança. Quando o fazem, é por uma retórica inversão ou exclusão do tópico em questão - "O que não é arte?" ou "É mais fácil dizer o que não é arte", nas palavras daquele travesso enfant terrible Duchamp.

Transcorridos tempos, e Maurice Denis pontificou a pintura nada mais ser que cores dispostas numa determinada ordem, insinuando destarte o fim da figura, libertando-nos do seu jugo mimético. Klee, tímido e lacônico, condensou filosoficamente: a arte não revela o visível e sim o invisível. E Kandinsky, em 1910, em seu "Über das Geistige in der Kunst", mais explícito, arrematou: a arte não mais precisava se referir a objetos exteriores, mas comunicar emoções e sentimentos através do impacto da cor e da forma, agindo como uma música visual. E é exatamente aqui que Áureo faz jus a todo esse pródromo, porque tal como em todo ser humano implícita está a trajetória inteira da Humanidade, em cada artista consubstanciada se encontra a história da arte. Áureo constitui exemplo vivo dessa evolução.

O resultado aí está - eclético e ecumênico, antropofágico mesmo, desenvolveu Áureo um idioma absolutamente próprio e autoral que nos toma de assalto para logo em seguida nos apaziguar em plácida contemplação. Sua pintura ganha corpo como delicada melodia de partitura musical. De fato, assim ele se sente. Parado diante da tela, livre e disponível, despido de toda e qualquer inibição e censura, escuta os sons do silêncio e sente o impulso que leva a mão que segura o pincel de encontro à tela. Daí em diante, não mais há um Áureo pensante; o que há é um maestro intuitivo a reger a sinfônica de cores que em desejável harmonia plural se inscrevem sobre o suporte, dele se inteirando por meio de linhas retas e curvas, símbolos geométricos, sinais, semas e signos biomórficos e pour cause significativos - tudo réplicas muito bem amarradas, sem no entanto deixar de respirar por arejados corredores, do seu eu mais íntimo em busca do "outro" - nós, apreciadores finais, que nada entendemos de técnica, mas, impactados estetica e emocionalmente, sabemos o que nos agrada e faz bem. A arte de Áureo não é para ser entendida, é para ser sentida.

 

Rio de Janeiro, Outubro de 2003.

 

Alexandros Papadopoulos Evremidis

Jornalista e Analista de Sistema Estéticos

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